Integrated Researcher (without Phd)

Sebastiano Raimondo

research interests

Fotografia, Arquitectura, Cidade, Territorio, Paisagem

Short Bio

Sebastiano Antonio Raimondo, Gangi, Italia, 1981. Completou o Mestrado em Arquitetura na Faculdade de Palermo em 2013, com a tese em fotografia: “Uma ponte – la fotografia come modo di abitare il mondo e costruirlo”, orientada pelo Prof. e Fotógrafo Giovanni Chiaramonte e pelo Prof. Arq. Paulo Tormenta Pinto. Em 2014 fundou o grupo “Presente infinito” na cidade de Napoli, com quem editou o livro manifesto homónimo, fez várias exposições em Itália e o produziu o projeto comum “Napoli – nuova luce”. Foi convidado em 2011 e 2015 como fotógrafo para trabalhar na área arqueológica de Selinunte em Sicilia, onde teve a possibilidade de desenvolver estudos sobre arqueologia e representação. Atualmente vive em Lisboa, onde prossegue os seus estudos de Fotografia no Doutoramento em “Arquitetura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos” no ISCTE-IUL com filiação ao centro Dinâmia-Cet e bolsa financiada pela FCT. 

research project

A fotografia tem uma relacao propria com a realidade. O próprio ato de fotografar, independentemente do significado que se venha a atribuir as imagens produzidas, afirma pragmaticamente a sua existência enquanto corte espacial e temporal dessa realidade e ao mesmo tempo, o olhar especifico do autor. A realidade, assim captada no fotograma, vem depois a ser moldada e editada em imagens fotográficas gerando assim um “lugar” (ao qual atribuímos realidade) que pretendemos chamar real. 

Na década de 1970 até ao fim do século passado desenvolveram-se varias teorias relacionadas com o estudo dos signos feitos pelo semiologo Peirce (1839-1914); o debate, sobre a fotografia como índice ou traço da realidade, de grandes teóricos como Rosalind Krauss (1977) nos EUA e Philippe Dubois (1983) na Europa, bem como outros ensaios seminais, chegou também a Portugal nos anos em quem se pretende colocar esta investigação. Figuras do Espanto (Pedro Miguel Frade 1992) e Imagem da Fotografia  (Bernardo Pinto de Almeida 1995) são os primeiros ensaios sobre teoria da fotografia produzidos neste pais. Esta investigação pretende numa primeira fase teórica abordar o tema ontológico da fotografia, na relação Espaço/Realidade e Lugar/Real, através da comparação da bibliografia mencionada de modo a obter uma chave de leitura do caso de estudo: os “Encontros de Fotografia de Coimbra”. 

Graças ao Centro de Estudos sobre Fotografia da universidade de Coimbra, primeira unidade de investigação sobre esta disciplina surgida em 1974, fotógrafos de todo o mundo puderam expor os próprios projetos e influenciar aquela que iremos definir como fotografia contemporânea portuguesa. O primeiro encontro teve lugar em 1980, dirigido por Manuel Miranda, Fernando Zeferino e António Miranda. A fotografia nascida quase um século e meio antes despertava todo o seu potencial e poder na construção de uma nova imagem do país: criara-se então uma janela aberta sobre territórios até então esquecidos ou fora do controlo da representação do poder político. Portugal saia do Salazarismo e começava uma fase de passagem e abertura tanto à Europa quanto aos países antigamente colonizados. Entre 1993 e 1997, com a direção de Albano da Silva Pereira e Tereza Siza Vieira, há quatro edições dos Encontros cujo objetivo principal é mostrar o país no fim do século: “Jardim do paraíso” em 1993, com projetos vindos do estrangeiro, teve o intento de inspirar “Itinerários de fronteiras” 1994, “Terras do norte” 1995 e “Sul” 1996, três exposições encomendadas em Portugal. 

A fotografia chegou nessas décadas a ter o máximo nível de qualidade no âmbito da técnica aos sais de prata e ao mesmo tempo um elevado nível de teorização e expressão artística. O nascimento daí a pouco das câmaras digitais iria revolucionar a forma de ver, bem como, o próprio uso que fazemos das imagens; hoje em dia é evidente a alteração e, ás vezes, a perda de sentido da própria imagem fotográfica, ultrapassaram-se os limites expressivos até mudar a própria forma como percepcionamos a realidade que nos rodeia.  

Os encontros de fotografia acabaram em 2000 na última edição dirigida por Delfim Sardo com o titulo “Mnemosyne Project”. Esta foi como uma porta aberta repentinamente ao novo milénio onde, não por acaso, a ideia de exposição, bem como o catálogo produzido, rodam à volta da própria natureza da imagem fotográfica. O “Bilder Atlas” de Aby Warburg (1866 – 1929) é a referência deste ultimo encontro, ou seja: um projeto inacabado de fazer uma história da imagem sem narrativa. A fotografia é, neste ultimo encontro, entendida como instrumento capaz de contextualizar de novo, editar e construir um mapa da memória. 

A produção artística é um processo de edição que inicia na memória - que é uma montagem feita de imagens; abre-se assim uma porta que liga fascinadamente o mundo das representações e o mundo das coisas representadas. Nos lugares construídos pelas fotografias há uma porta que, por razões ontológicas, liga o fotograma com o corte de realidade em contacto, e, por razões simbólicas, liga a imagem à construção da memoria do observador. A fotografia aos sais de prata tem hoje em dia um uso muito reduzido e os sensores fotossensíveis modificaram geneticamente a própria fotografia. O lugar construído até ao fim do século passado ainda tinha um espaço físico de referência, devido à própria génese da fotografia. Hoje essa génese foi modificada e assim os “lugares” acabaram para não ter espaço nenhum. 

M. De Masi, L. Fiano, L. Martelli, A. Raimondi, S. Raimondo, G. Scotti, Presente Infinito. Modena, Franco Cosimo Panini, 2014.

Main publications

“Drawing and photos” em Il nuovo grand tour, La sala multimediale del Museo Civico di Castelvetrano, prima tappa per la conoscenza integrata della cultura selinuntina, curadoria R. Denaro, M.L. Scaduto, F. Scibilia. Palermo, Edizioni Caracol, 2017.

Porte, “cose che sono solo se stesse”? em Scopio Network, Porto, CCRE, 2015.

“Sob a luz do sol também os sons brilham” em Paisagens Distantes a CRIL uma avenida pos-moderna. Passagens n.1, Paulo Tormenta Pinto, Lisboa 2013.

“sguardi sul paesaggio dele infrastrutture” em L’architettura del mondo. Infrastrutture, mobilità, nuovi paesaggi, A. Ferlenga, M. Biraghi, B. Albrecht. Bologna, Editrice Compositori-Triennale Milano, 2012.

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