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Património Sustentável e Inclusivo na NEI2022

No âmbito da Noite Europeia dos Investigadores 2022, decorrida no dia 30 de Setembro sob o tema “Ciência para Todos, Sustentabilidade e Inclusão”, teve lugar a atividade “Insta-P: Segue o Património Cultural”, coordenada por Rolando Volzone, e organizada por Ana Oliveira, Bruno Vasconcelos, Carla Duarte, Elisabete Tomaz e Sebastiano Raimondo, integrados na unidade de investigação DINÂMIA’CET-Iscte.

Os principais objetivos da atividade passaram por:

  • Sensibilizar para a importância da herança cultural, promovendo um olhar e um pensamento críticos, além de inclusivos e sustentáveis, sobre o património cultural: a sua existência, conservação, utilização e função, bem como o seu significado nas vidas dos participantes e das suas famílias, comunidades e sociedades;

  • Promover o andar a pé pela cidade como uma forma sustentável de deslocação, de entendimento e de apropriação do espaço, possibilitando uma socialização saudável e, consequentemente, a inclusão social e cultural;

  • Encorajar os jovens a explorar e a melhor compreender a diversidade do património da área de Lisboa e a sua importância para o futuro, de modo a capacitá-los para uma participação ativa na sua salvaguarda e transmissão. Desta forma, procurou-se estimular um pensamento reflexivo, consciente, inclusivo e participativo que facilita a futura tomada de decisões.

Ao longo da tarde, nos espaços do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, os organizadores receberam 16 participantes, entre os 14 e os 17 anos, integrados no Projeto INTERVIR (https://www.jf-misericordia.pt/projeto-intervir), desenvolvido pela Junta de Freguesia da Misericórdia, parceira da atividade. Após uma apresentação geral dos participantes, monitores, organizadores, e distribuição do material patrocinado pelo ISCTE-IUL e pela Águas de Luso, partilhou-se o programa. O início da atividade foi marcado por uma breve formação teórica, adaptada aos participantes, juntando três projetos de investigação em curso no DINÂMIA’CET-Iscte:

  • Rolando Volzone: “O que é o património cultural e porque devemos cuidar dele?”;

  • Carla Duarte: “A importância de caminhar na observação e compreensão do espaço urbano”;

  • Sebastiano Raimondo: “Fotografia: um olhar sobre o património”.

Posteriormente, os jovens foram convidados a caminhar pela cidade (ao longo de um percurso pré-definido de cerca de 2 km), fotografando e compreendendo sensorialmente as diferentes dimensões do património cultural. Simultaneamente, promoveu-se, assim, uma forma de deslocação mais sustentável e saudável. Foram ainda abordadas diferentes tipologias de património cultural: material (nas suas vertentes natural e construída) e imaterial (ofícios, comércio e representações artísticas). Todo o património – analisado mediante lentes fotográficas – tem importância local, nacional ou mundial, ora obtendo classificação oficial, ora sendo reconhecido informalmente. O ato de fotografar possibilitou a materialização da compreensão, promoção e divulgação do património nas suas várias vertentes.

Fotografias: Ana Oliveira

Ao longo do percurso foram capturadas fotografias com smartphone nos seguintes pontos:

  1. Praça do Príncipe Real – Cedro-do-buçaco. Foi sublinhada a importância do património natural e da sua necessidade nas cidades “verdes”;

  2. Alto do Longo. Foi abordada uma diferente escala patrimonial – o bairro. Esta paragem foi marcada pelo conceito de intimidade, bem como pela ausência de ruído e exclusiva circulação pedonal;

  3. Encadernador Carlos Guerreiro. Integrado no núcleo de “Lojas com História”, foi apresentada a dimensão imaterial do património cultural: um saber-fazer que se tem vindo a perder por falta de pessoas que perpetuem estes ofícios tradicionais;

  4. Café Luso. Outra faceta do património intangível: o Fado, música e expressão artística reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade em 2011.

A parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa possibilitou uma breve visita, guiada pelo historiador Pedro Rocha, na igreja de São Roque, e na sala de arte de ourivesaria italiana do museu homónimo. A segunda etapa da atividade será desenvolvida em breve. Constituirá um momento de análise crítica do material recolhido ao longo da caminhada. Através da visualização e seleção das fotografias capturadas, serão fomentados um debate crítico e a criação de uma legenda explicativa que condense a perspetiva de cada autor. O intuito é que culmine na definição de um conceito de curadoria, com vista a uma futura exposição em espaços disponibilizados pelos parceiros da atividade, e que serão definidos com os próprios participantes, incluídos, deste modo, em todo o processo.


A comissão organizadora e os parceiros envolvidos acreditam que este foi o primeiro (grande) passo para a criação de um laboratório urbano e participativo que será, certamente, alargado a faixas etárias ainda mais jovens e a seniores, nomeadamente através de iniciativas intergeracionais que permitam uma partilha de conhecimento transversal.

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